terça-feira, 9 de outubro de 2012

Meu Papel #11: Dra. Zelma



              Então, quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? É difícil pensar que em apenas uma cena se tenha tanta informação, interpretação, história. Dra. Zelma é a diretora da escola onde a personagem Silene, interpretada por nossa colega Letícia Souza, estuda.  Aparecendo em meio a confusão que é a vida da família de Seu Noronha, Dra. Zelma trás consigo mais problemas: Após presenciar Silene matando uma gata a pauladas no meio do pátio da escola que administra, na frente de milhares de crianças, Dra. Zelma chega a conclusão de que a garota há de ter "distúrbios psicológicos". Não podendo admitir que a aluna continue a frequentar a escola, ela vai até a "grande família" para informar o ocorrido e as consequências do tal.
                Revelações, xingamentos, tapas, choro, seriedade, ameaças. Foi difícil deixar o roteiro de lado e começar a, realmente, aprender a interpretar, a incorporar o personagem. Quando eu pensei num personagem pra interpretar na peça, me veio logo a cabeça a Arlete, uma das cinco filhas, que quem acabou ficando com o papel foi Paulinha, Dra. Zelma nem existia, ela era, na verdade, Dr. Portela.  A gente adaptou a personagem e a primeira pessoa que pensaram pra fazer uma diretora fui eu. A desculpa inicial foi "Imagina, Gabi com os óculos de professora dela vai ficar perfeito", é, acho que os óculos e a cara de abusada ajudaram. Eu sempre achei a arte de atuar muito legal, mas nunca tinha tido a oportunidade de experimentar um pouquinho disso, é incrível, você poder ser algo totalmente diferente do que você é, você ter de representar algo que você não tá sentindo. É difícil, muito difícil, mas nada que com prática não se consiga desenrolar.




Inspiração pra criar o personagem, então, veremos a Dra. Zelma pelos seus dois lados, o lado profissional e o pessoal. No lado profissional eu acho que me inspirei em cada diretora de colégio que eu já vi, cada pedagoga que dá tudo de si no trabalho, até na minha mãe, talvez, mulheres fortes, mulheres que lutam por uma melhor educação, um melhor ambiente escolar, que tentam passar o que é certo aos pequenos cidadãos que tão ali para crescer como pessoa, sendo julgados pelos atos que comentem, sofrendo as consequências e aprendendo mesmo. Mulheres que não existam quando têm uma tarefa desconfortável a fazer, uma notícia ruim ou uma bronca pra dar. Já no lado pessoal, a mulher Dra. Zelma seria como uma Rose Loomis - interpretada por Marylin Monroe- em Niagara, misteriosa, autoconfiante, orgulhosa, sensual, que quer ser tratada com respeito mas ao mesmo tempo tem certas atitudes consideradas "erradas" diante da sociedade, uma mulher que não tem medo de expor suas curvas.  
                Fazendo um mix dessas duas faces que eu citei a gente acha a Srta. Bello, das Meninas Super Poderosas, uma personagem responsável, séria, dedicada, determinada e ao mesmo tempo sexy, feminina, poderosa mesmo. É isso, eu não sou tanto Dra. Zelma, mas espero que eu consiga interpretar ela da forma como eu a vejo na minha cabeça. Então, é isso aí, vamos chorar, cair, levantar, xingar, ser xingada, revelar, acusar, atuar.



Gabriela Almeida
Na prática, a teoria é outra

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