quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Meu papel #7: Dona Aracy

Eis aqui A mãe. Eu, Alana, a mãe de cerca de metade dos que atuam nesta peça, além da “gooooorda!” do Seu Noronha.

Há algumas semanas estava trocando de canal, procurando algo para ver. Básico. Acabo parando no TV Cultura (segundo meu irmão), fascinada, já que aqueles desenhos velhíssimos, da minha infância, ainda são transmitidos. E o desenho em questão era Os Sete Monstrinhos. Não é bem da minha época, mas meu irmão mais novo adorava. Eu acabava vendo também.

Mãe dos sete monstrinhos.
Foi uma coisa bem visual. Quando eu coloquei meus olhos na Mãe dos sete monstrinhos, lembrei no mesmo segundo da D. Aracy. Aquela mulher, mãe, sempre de avental, sempre ocupadíssima cuidando da casa, com uma quantidade, digamos, considerável de filhos, acabou se tornando uma das minhas referências. Isso claro, com várias exceções comportamentais.

Essa história de procurar referências para os personagens foi negócio de Malvinha, óbvio. Até porque, as pessoas em geral não fazem esse tipo de coisa por diversão. Não é exatamente fácil. Ainda mais considerando que está em jogo o texto de Nelson Rodrigues. Seus personagens são bem peculiares. No mínimo, não estão escrachados em desenhos animados. Mas claro, se você se despir do preconceito, com certeza vai encontrar algo.

Então, nesse processo, fuçando minhas memórias perdidas em neurônios escondidos, lembrei-me de outra mãe. Não sou tão original assim. Mas uma mamãe com milhares de filhos! Na realidade, com cinco filhas, assim como eu! Ops, como D. Aracy. Suas filhas também não se casaram (no início da história). Mas seu empenho a respeito da situação de suas meninas é bem diferente do empenho da Srª Noronha pelas dela. Assim como minha personagem (ao menos, a princípio), minha segunda referência não faz parte da contemporaneidade, o que eu acho que ajuda.

Srª Bennet de uma das versões
de 
Orgulho e Preconceito que desconheço.
Srª Bennet, de Orgulho e Preconceito, da Jane Austen (o qual nunca li, só vi o filme com a Keira Knightley, de Piratas do Caribe), é outra mulher atarefada, no caso, se preocupando em casar suas filhas. Bom, o Sr Bennet é super legal, mas isso não importa. O ponto é que a família Bennet não é exatamente rica, vive numa fazenda, na Inglaterra, século XIX. A mãe quer que suas filhas se casem bem, vivam numa boa situação financeira. D. Aracy também, exceto que já perdeu as esperanças nas quatro mais velhas, continuando a abastecer os fundos para a compra do véu e grinalda de Silene, a mais nova e pura da casa.

Sem bom-senso, se comportando de forma inadequada, a beira de um colapso nervoso, às vezes metida a engraçadinha, Srª Bennet veio a minha mente e achei que, pela primeira vez, ela estivesse no momento certo e no lugar certo.

Uma livro contado pela morte não deve ser muito feliz,
não acham?
A minha mais recente inspiração surgiu há alguns dias. Rosa Hubermann, do livro A Menina que Roubava Livros. A mãe adotiva de Liesel Meminger também tinha um marido divino, assim como a Srª Bennet. Ainda sim não era feliz. Não é só de casamento que se faz a vida, ela tinha seus problemas. Acho que viver na Alemanha nazista, com perigo de ter sua casa bombardeada a qualquer momento não era exatamente a coisa mais legal do mundo. Era amargurada, sem paciência, lavava roupa dos vizinhos para ajudar financeiramente a família e cuidava da casa.


Finalizando esse texto chatíssimo, descobri mais coisa do que achei que descobriria. D. Aracy com certeza é mais discreta que todas essas inspirações ditas acima, com um universo menos amplo que o delas, com uma intérprete não-competente, diferente dos escritores, atrizes, dubladores e criadores aos quais me referi. E mais: outras referências surgirão e já surgiram. Provavelmente não tão marcantes quanto essas. Trejeitos e jeitos. Falas, manias.

Então, quando o Coletivo +18 convidar, vocês vão ir pra lá. Ver no que isso vai dar. Não sou boa em rimas.




Alana

Perco o amigo, mas não perco a piada. Quer um cubo de açúcar?
twitter: @alanakelly_

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